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Esse blog é um espaço para a reflexão de como podemos fazer para Viver de Teatro.
É possível? Vale a pena?
Espero que meus relatos e os comentários postados aqui por vocês possam servir de debate nessa discussão.



terça-feira, 28 de dezembro de 2010

E lá se foi mais um ano vivendo de teatro...


Ano terminando e momento de retrospectiva.

Posso dizer que consegui viver de teatro! 

Quero deixar um abraço especial a todos os alunos que puderam refletir sobre teatro, aos colegas de profissão que partilharam minhas alegrias e colaboraram nas dificuldades e a todos os milhares de espectadores que assistiram aos meus espetáculos ao longo desse ano.

Esse ano voltei a ser dirigido... Fazia tempo que não me envolvia num projeto apenas como ator (se bem que a gente nunca deixa de pensar na encenação quando se tem um pezinho na direção rsrs). Agradeço a Tânia por ter colaborado com o meu querido grupo na direção de UBU REI, numa montagem de rua, coisa que eu amo. Estendo meu agradecimento aos coordenadores das dezenas de escolas por onde passei e aos professores que foram coordenados por mim no SENAC. Agradeço pela confiança e pela prontidão em compreender que Arte deve ser ensinada de uma forma especial. E finalizo agradecendo a todos os integrantes da Cia Boccaccione que permitem o exercício do meu trabalho estritamente artístico numa linguagem estética instigante e que influenciam no meu aprimoramento. Aqui se encaixam as pessoas que trabalham nos bastidores (iluminação, figurinos, bilheteria...).

Que em 2011 tenhamos o dobro de trabalho com o triplo de qualidade e o quádruplo de cachê! Hehe

Merd(r)a!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O Teatro e as Redes Sociais

Não podemos negar a força da internet nos dias atuais. E-mail, Sites, Blogs, Orkut, Facebook, Twitter, Youtube, etc, chegaram com tudo em nossas vidas e podem contribuir muito para a divulgação das Artes.


Sem espaço na televisão e no rádio para a promoção dos eventos culturais as redes sociais se tornam, cada vez mais, lugares democráticos que ajudam como uma vitrine para que os artistas possam mostrar e convidar a população para conhecer seus trabalhos .

Um dos motivos que me levam a participar ativamente desses meios de comunicação contemporâneos é a possibilidade de divulgação dos espetáculos teatrais. Não vejo muito sentido em ter uma lista imensa de pessoas no Orkut, Twitter e outros se esses “amigos virtuais” não freqüentam os meios culturais. Acredito que as pessoas procuram redes sociais para interagirem com outras que partilham dos mesmos gostos. Assim como as comunidades virtuais destinadas a esportistas, por exemplo, devemos fortalecer os espaços dedicados ao teatro para promover debates, convidar para peças, criar promoções, divulgar festivais ou simplesmente conhecer pessoas que procuram viver de teatro.

Vamos colaborar para divulgar o maior número de endereços pela internet que falam sobre teatro?

Abaixo, na medida do possível, vou postando algumas dicas interessantes. Faça isso também!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Teatro para Educadores - a importância da Arte na Sala de Aula

Fico muito entusiasmado com a disciplina Teatro para Educadores que tenho ministrado há dois anos no Centro Universitário Claretiano, no curso de Artes.

Mostrar que teatro na escola vai muito além de “montar pecinhas” é uma oportunidade que vejo em colaborar para a formação de indivíduos que talvez não se tornem atores, mas que terão um olhar mais crítico sobre o fazer teatral. Serão pessoas melhores, trabalharão com seus sentimentos, aprenderão a lidar com a criatividade e o corpo se expressará com liberdade. E certamente serão pessoas que freqüentarão os teatros, como expectadores e, se Dionísio quiser, como futuros atores.

Sou um sonhador otimista. Desejo muito que os novos professores de Artes possam reverter o passado onde as encenações em datas comemorativas dêem lugar ao jogo teatral.

Empenhado e inspirado por Olga Reverbel desenvolvo minha missão como arte-educador.
Que o Teatro invada as escolas e provoque uma explosão de dentro para fora!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Senta bunda na cadeira, estuda e não fala bobeira!

Infelizmente algumas pessoas fazem espetáculos tão ruins, com elencos tão medíocres, que o que sobra é inventar uma polêmica para que sua peça seja comentada no dia seguinte. Mas discutir sobre um olhar artístico o trabalho só é possível com quem realmente é importante para o cenário teatral.
Não tenho paciência para pessoas que antes deveriam estar na sala de aula como alunas e não como professoras.

Começo esse texto com um comentário rude para falar sobre a importância do estudo em nossa área. Cobramos tanto das pessoas um respeito sobre nossa profissão, mas nós mesmos, às vezes, não nos respeitamos.

Teatro é coisa séria (e brincadeira ao mesmo tempo) e para que possamos ter o respeito da população e o investimento, seja ele governamental ou privado, temos antes que investir em nosso material de trabalho.
Quando atores, o nosso corpo, nossa voz, nosso intelecto, nosso espírito. Quando diretores, a nossa observação, nossa intuição, nosso olhar. Quando professores, nossa didática, nossas bibliografias.

Enfim... nosso material de trabalho mais importante, seja qual for a área de atuação teatral, é a sensibilidade!

O estudo dá embasamento para a realização da nossa arte. Com o conhecimento conseguimos ir mais longe, olhando para o que já foi feito e almejando onde ainda podemos chegar!

Merda!

sábado, 20 de novembro de 2010

Commedia dell´Arte - quem pode faz, quem não pode bate palma ou... da diversidade do Teatro em nossa cidade

Diante da diversidade de grupos de teatro de Ribeirão Preto vejo quão rica é a produção cultural de nossa cidade.
As pesquisas vão do Clown ao Teatro Pós Moderno, com acertos e erros, mas com a busca, que é o mais importante nisso tudo.

Faço parte de um grupo que teve início a partir da pesquisa na área da cultura popular. Já realizamos diversos cursos, viajamos aprendendo danças e músicas populares e encontramos na rua essa manifestação mais eficaz. Como a cultura é viva ela não se empedra e nossos trabalhos vêm nesses últimos anos evoluindo ora dentro de nossa própria pesquisa ora convidando pessoas para agregar suas estéticas ao nosso trabalho.
Embora tenhamos feito o espetáculo “Ai, amor...” inspirado na obra de Molière, que por sua vez se inspirou na Commedia dell´Arte na construção de seus personagens, nunca fizemos um estudo sobre a Commedia dell´Arte que resultasse numa peça.

Vejo muitas pessoas que nunca estudaram teatro na vida (nem sei se estudaram alguma coisa) tendo a pretensão de se colocarem como críticos de teatro e avaliando que em nossa cidade só fazemos Commedia dell´Arte.

O único grupo profissional de Ribeirão Preto que trabalhou com uma pesquisa fundamentada na Commedia dell´Arte foi o Fora do SériO. Só por ser o grupo mais importante da cidade, reconhecido por dezenas de críticos que nos deparamos na estrada, merece muito respeito. Escrever de forma depreciativa sobre essa face do teatro é se esquecer de que foi na Commedia dell´Arte que os atores foram vistos pela primeira vez como profissionais. Poderia até escrever uma aula aqui sobre a Commedia dell´Arte, afinal sou preparado para isso e detenho esse tipo de conhecimento, mas prefiro estimular a pesquisa daqueles que não conhecem ainda esse período maravilhoso da história do teatro que inspirou diversos autores, entre eles o atemporal W. Shakespeare. Pra realizar um trabalho nessa linha é preciso um treinamento corporal de jogo com a máscara intenso, pois sabemos que Commedia dell´Arte sem máscara não existe.

Essa forma de criação de teatro ainda é viva e pulsante. Ainda faz com que o público se questione através de um riso que parece ingênuo, mas que continua nos fazendo ver nesses tipos como servos, patrões ou, simplesmente, enamorados.

Antes de fazer o papel do “Dotore” – personagem falastrão, que fingia conhecimento e soltava umas palavras em latim que nem ele sabia o significado – é importante olhar para o que realmente Ribeirão Preto tem produzido. São prêmios, críticas e turnês que coroam diversos grupos, reconhecendo a qualidade desses trabalhos.

Eu, como diretor de diversas peças da Cia Teatral Boccaccione, nunca montei um espetáculo de Commedia dell´Arte, embora seja um apreciador desse potencial de teatro. O próprio UBU REI, nosso trabalho atual onde trabalho apenas como ator foi pensado a partir do corpo do bufão, mas isso já seria uma outra pauta para nosso Blog.

Fico com as palavras de Toninho do Valle, crítico teatral: “O teatro tem mil facetas e suas mil facetas hão de ser mostradas”.

Merda!

I Festival de Teatro de Ribeirão Preto

Após anos de reivindicações conseguimos realizar o I Festival de Teatro de Ribeirão Preto, uma parceria entre a Prefeitura, SESC e os artistas envolvidos com a arte teatral da cidade.

A Secretária de Cultura Adriana Silva não mediu esforços para juntamente com Flávio Racy, representando os atores no Conselho Municipal de Cultura, criar um edital que desse a oportunidade dos grupos da cidade mostrarem “suas caras” para a população. Os grupos selecionados tiveram a oportunidade de, por meio de debates ao final das apresentações, discutirem o processo criativo com o objetivo de aperfeiçoar o trabalho.

Foi um momento fantástico de estrema democracia. Ainda por ser o primeiro temos muitas coisas a melhorar, como uma mais rigorosa seleção dos críticos e dos espetáculos e a busca por uma estrutura técnica mais primorosa.

Com o tempo, desejo que o Festival possa se abrir e outros grupos possam se inscrever para que a troca nos tire do provincianismo que, às vezes, insiste em perpetuar.

Um momento muito importante foi o Fórum sobre de Teatro já preparando a próxima edição, abrindo oportunidade para um diálogo entre todos os realizadores desse projeto.

Vida longa ao Festival!
Merda!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tipo de Diretor


Tenho encontrado em minha carreira com dezenas de diretores. Alguns com quem eu trabalhei, outros que são apenas colegas conhecidos.

Uma coisa que me incomoda é aquele que faz “Tipo de Diretor”.
Esse sujeito raramente vai ao teatro se alimentar da própria arte que bebe (será que bebe?). Quando vai assistir a algum trabalho se põe a tecer inúmeras críticas. Não que ele esteja falando mal, já que ele detém um conhecimento imenso acerca do assunto. O que ele deseja é colaborar para o aprimoramento dos atores.

Mas o duro é na hora do trabalho... Ele se coloca como ser superior. Sua técnica é inovadora (poderia estudar mais sobre História do Teatro) ou ele é um seguidor de algum mestre encenador. Debruça seus comentários sobre a pesquisa que desenvolve a tempos sobre aquela forma de fazer teatro.
Quando fala com algum ator sempre o trata como um imbecíl que não consegue compreender sua arte. Um ator para esse Tipo é sempre alguém que não tem talento, mas se ele trabalhasse com um ator bom mesmo seu trabalho iria estourar!

Na verdade tudo isso é Tipo!

Você deve conhecer alguém assim. Fuja dele o quanto antes...

O ator é o centro da nossa arte, devemos pensar o teatro para que esse ator desenvolva sua técnica e sua emoção. O diretor, ao meu ver, deve ser o olhar do público, coordenando o espetáculo, mostrando caminhos e possibilidades, organizando idéias.
Nenhum diretor tira nada do ator. O ator oferece quando quer. Um diretor pode provocar, estimular, propor, mas a arte teatral não é dele.

O teatro é a arte do Ator!