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Esse blog é um espaço para a reflexão de como podemos fazer para Viver de Teatro.
É possível? Vale a pena?
Espero que meus relatos e os comentários postados aqui por vocês possam servir de debate nessa discussão.



domingo, 20 de março de 2011

Nossa Arte é Muitas Vezes Solitária




Pode parecer discrepante falar sobre a solidão da nossa profissão, principalmente porque nos últimos ‘posts’ tenho escrito sobre a importância do trabalho em grupo, mas travamos uma diletante busca entre o trabalho coletivo, aquele onde eu necessito do outro, e o trabalho individual, onde eu acrescento ao grupo o MEU material.

Vejo alguns atores chegando nos ensaios extremamente vazios e numa atitude vampiresca se colocam como chupins sugando tudo o que os seus colegas oferecem como material de pesquisa. Como parasitas esperam de todos o que se deve fazer e são incapazes de tomarem a iniciativa, oferecer propostas.

É necessário que tenhamos um tempo nosso. Tempo para refletir porque eu faço essa arte? Porque decidi, através do teatro, expor às pessoas tantas coisas? Somente no silêncio da solidão artística podemos ouvir essas respostas.

É importante ressaltar que na solidão artística o ator estuda a sua personagem, questiona o texto, pensa na ação física e, depois, em conjunto coloca suas idéias em prática.

Bendito seja o trabalho em grupo, mas bendita seja a solidão inspiradora que nós, artistas, desejamos ter!

Merda! . !

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ensaio

Muitos alunos ansiosos e que ainda não compreendem o processo de criação que ocorre no teatro têm dificuldades em entender a necessidade de tantos ensaios. Achei uma definição bastante didática que pode ser conferida no livro DICIONÁRIO DE TEATRO de Patrice Pavis, Editora Perspectiva.

ENSAIO - "Trabalho de aprendizagem do texto e do jogo cênico efetuado pelos atores sob direção do encenador. Esta atividade preparatória do espetáculo ocupa o conjunto da companhia e assume formas bastante diversas (encenação). Peter Brook observa que a palavra francesa evoca um trabalho quase mecânico, ao passo que os ensaios se desenvolvem cada vez de maneira diferente, e são, às vezes, criativos. Se não o fossem ou se prolongassem na repetição infinita da mesma peça, a morte do teatro seria rapidamente perceptível. O alemão Probe ou o espanhol ensayo ("tentativa") traduz melhor a ideia de experimentação e de tateio antes da adoção da solução definitiva."

Vamos utilizar os ensaios para experimentar, criar, buscar soluções, manter vivo o jogo cênico!!!

Merda!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Exclusividade

Acordo cedo, durmo tarde, trabalho os 3 turnos do dia para receber um salário digno no fim do mês. Acontece que algumas escolas confundem PRIORIDADE com EXCLUSIVIDADE.

PRIORIDADE eu dou para cada escola nos horários especificados no contrato. Se meu tempo programado para desenvolver minhas atividades são aqueles acordados não tenho condições físicas (e espaciais) de estar em 2 lugares ao mesmo tempo.

Se querem EXCLUSIVIDADE precisam pagar alto para isso. Mas mexer no bolso dói... Melhor doer neles do que em mim. Organizo meus horários, preparo minhas aulas, tenho uma presença exemplar e não atraso prazos para entregar os projetos. O que mais? Mais que isso é tentar centralizar um artista que busca e preza pela liberdade.

Saber impôr e respeitar os limites é uma necessidade para quem quer seguir vivendo de teatro.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Espaço Aberto

Acredito muito que o compartilhamento de ideias e reflexões nos ajudam a entender e a descobrir melhores caminhos para seguir vivendo de teatro.

Para isso deixo tenho convidado algumas pessoas para que possam escrever um pouco sobre esse tema.

Envie sugestões de nomes, pautas para entrevistas ou até mesmo suas reflexões sobre o assunto que postarei com o maior prazer.

Meu contato pessoal é joaopaulohf@yahoo.com.br

Vamos nos comunicar, teatreiros!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Espírito de Coletividade

Quero compartilhar com vocês esse pensamento de Eugênio Kusnet que pode ser encontrado no livro Ator e Método, escrito por ele e publicado pelo Serviço Nacional de Teatro – Ministério da Educação e Cultura/ RJ – 1975 Coleção Ensaios

Muito atual e universal, como toda obra genial.

“Entre todas as artes, a arte dramática talvez seja a única que só em casos de absoluta exceção poderia ser exercida por apenas uma pessoa. Ela é essencialmente sujeita ao  resultado do trabalho de conjunto, de equipe.
Quanto maior for a harmonia existente entre os elementos da equipe, seja em teatro, em cinema ou em televisão, quanto maior for o ESPÍRITO DE COLETIVIDADE no trabalho, tanto melhor será o resultado. Entre parênteses: a palavra “elenco” na União Soviética é traduzida por “coletivo”.

Por isso as palavras do  escritor Anton Tchecov sobre coletividade em geral, podem ser perfeitamente aplicadas ao trabalho de equipe teatral: “Se cada um de nós aplicasse o máximo  de sua capacidade no cultivo de seu terreno, em que belo jardim se transformaria a nossa terra!”

E isso só é possível quando se trabalha com muito amor. Esse amor pelo trabalho coletivo em teatro nunca deve ser superado pelos anseios e vaidades pessoais. Nós, gente de teatro, somos vaidosos por excelência, pela própria natureza de nossa arte que é exibicionista, mas o essencial é que a nossa vaidade seja construtiva e não prejudicial ao trabalho coletivo. “Ame a arte em você, mas não a você a arte”. Essa frase de Stanislavski também nunca deve ser esquecida pela gente de teatro.”
















quarta-feira, 9 de março de 2011

Unidade + Individualidade. É possível?

Para que eu pudesse encontrar um espaço de desenvolvimento artístico dentro da pesquisa do fazer teatral que eu havia iniciado precisei encontrar um GRUPO.
Em conjunto as dificuldades são superadas com mais facilidade e as alegrias são saboreadas com mais festa.

Claro que nem todos os dias de convivência são dias pacíficos, tranqüilos e cheios de inspiração. Muitas vezes a preguiça de um acaba inflamando a todos, mas na maioria das vezes, quando trabalhos em equipe, um procura animar o outro no desafio diário de se viver de teatro.

Cabe a cada um aprender a tolerar, conviver com os vícios, dificuldades, estresses, chateações, ignorâncias dos outros. Um bom líder geralmente é aquele que detecta os diferentes traços de personalidade dos integrantes, organiza, ajuda a amenizar os “defeitos” e a valorizar as “qualidades”. Nem tudo são flores, mas tampouco apenas espinhos.

Não só o meu grupo como qualquer outro vivencia, diariamente, uma luta para alinhar as diferentes formas de se pensar ARTE, os diferentes anseios e expectativas, mas quando entendemos que estamos juntos por uma causa nobre e única, que através de nós o homem poderá se ver através de outro homem, nesses momentos nos tornamos um e esse corpo chamado GRUPO (Companhia, Trupe, etc) é responsável por uma ação fabulosa e fantástica: A MAGIA DO TEATRO.

Em busca da unidade sem perder a individualidade. Complexo, mas instigante... Como o Teatro...

Merd®a

sexta-feira, 4 de março de 2011

A Arte de Trabalhar em Grupo

Todos nós estamos cansados de saber que Teatro = Trabalho em equipe. Outro dia o grande crítico e diretor teatral Toninho do Valle disse que o teatro é colaborativo por excelência, isto é, o diretor colabora com o ator, que colabora com o autor, e por aí vai... A nossa arte precisa de uma total integração para que o resultado aconteça de forma positiva.

Não existe nada mais complicado do que participar de um processo criativo onde, nos ensaios, um ator quer destruir o outro, onde não há parceria, colaboração e onde o individualismo pretende ser maior que o coletivo.

Criar um clima favorável no ambiente de trabalho é vital para o rendimento do grupo. Alguns atores, para que possam se engrandecer, procuram diminuir seus colegas, outros se julgam diretores e impedem que o encenador dê continuidade à sua função, existem ainda aqueles que acreditam que os ensaios devam girar ao seu redor, chamando a atenção de todas as formas.

As ervas daninhas, nome carinhoso que chamo esses atores que não sabem a definição elementar do teatro, essas pragas devem ser arrancadas pela raiz ou então destruirão toda a equipe com fofocas, intrigas e todo mal que nem ousamos pensar. Claro que podemos pensar na forma de inserção dessas pessoas, mas para que um ser humano se transforme ele, primeiro, precisa desejar essa transformação.

Continuarei falando sobre esse assunto em outro tópico, afinal trabalhar em equipe não é para qualquer um. Além de vocação precisa ter muito saco!

Merd®a